Nunca ouvi falar
Que nas águas calmas
É que se aprende a navegar
Nunca quis viver
A me banhar nas águas rasas
Eu prefiro mesmo mergulhar
E ver
Do profundo
O meu mundo precisa ter
Do fecundo
Eu me inundo pra me conhecer
Sou o percorrer
Pedrosill
As coisas que eu nunca vi
Caminhos que nunca trilhei
Histórias que nunca vivi
Ideias que nunca pensei
As dores que nunca senti
Problemas que nunca passei
Pessoas que não convivi
Comidas que nunca provei
Desconheço
Do começo
Ao fim
E do avesso
Conceitos
Não podem do nada nascer
Do seu bel-prazer
Sem experimentação
Conceitos
Não podem do nada brotar
E se disseminar
Ilusória conclusão
Como essas
Suas opiniões estúpidas
TÃpicas de mentes pútridas
Com tantas opções, a única:
Se embasar numa falsa noção
Como essas
Suas opiniões estúpidas
Virando emoções públicas
Não surgem de gente lúcida
Que pratica a pura compaixão
Da morte só pode falar quem morreu
Do amor só pode contar quem viveu
De tudo do mundo que vivo só eu
No fim só quem pode nos julgar é Deus
(Esqueceu?)
Pedrosill
Força tamanha
Vem na maré
Vem nos dar fé
Purificar
Nos acompanha
De onde estiver
Um contrapé
A nos sustentar
Faz o que Deus lhe mandar
Ajuda no que puder
E quem souber lhe escutar
É pro que der e vier
Mora no meio das ondas
Quando quer vem visitar
Dele, não tem quem se esconda
É cavaleiro do mar
Vem nos valer
Nos abraçar
Vem lá do fundo do mar
Vem proteger
Nos ajudar
Vem lá do fundo do mar
Pedrosill
Se a decepção é um punhal cravado nas costas
Pedrosill
Eu tenho amor de sobra
Não é amor de cobra
Eu não sou infeliz
E meu amor só dobra
Não é amor de sogra
E nem de meretriz
O meu amor tem falha
Assim como navalha
Que deixa cicatriz
E quando ele se espalha
Fica feito migalha
Fazendo insistir
O meu amor destroça
Quem só faz manobra
Pra me destruir
O meu amor se esforça
Pra agradar, desdobra
Ele é aprendiz
É quem provou, que diz!
Pedrosill