Advertido

7/21/2026

Há um pesadelo em seu sorriso

Mas ninguém consegue perceber

Seu olhar é tão provocativo

Quem entrar logo vai se perder


Mais que perigo

É danoso

É corrosivo


Mais que nocivo

É penoso

É doloroso


Mas eu não ligo


Nas palavras doces

Não deito iludido

Se perfeito fosse

Não seria divertido


Caso eu venha a vacilar

Posso até voltar ferido

Mas eu vou me curar

Porque fui advertido


Vou saber transformar:

Teu veneno, meu antídoto.

Meu rio não se limita ao cais

7/21/2026

Sou a sintonia do Nilo

Vibrando meus ancestrais

Em guerra apenas comigo

Sustento meus ideais


Há dias que eu não consigo

Até que olho pra trás

Reposiciono meu norte, respiro

Dito aos meus pulsos vitais:


Eu só existo,

Porque resisto!

Por isso insisto:

Não percam o ritmo...

Não parem jamais!


Conecto à ramais

Desperto potenciais

Avanço em leitos viscerais

Nenhum rio se limita ao cais

Tão pouco eu vou me negar.

Jamais! 

Os Anjos Educam por Competência

7/21/2026

Os anjos não gritam ao vento,

nem descem sempre em clarão.

Muitas vezes chegam em silêncio,

disfarçam-se de provação.


Os anjos não dão as respostas,

nos plantam perguntas no chão.

Transformam pedras em escolas,

fazendo da queda, lição.


Pois nada acontece em vão,

não é questão de punição.

Há prova que é só passagem,

há perda que é construção.


E entre caminhos de brasa,

há também degraus de espinho.

Aquele que vence por dentro

é quem sabe passar no caminho.


Pra quem sabe acessar a essência,

os anjos sopram confidências.

Cada sopro destrava uma chave,

cada chave, uma nova potência.


Nisso os anjos têm proficiência,

esperança, fé e paciência.

Mas se um dia te faltar coragem,

saiba acordar suas ciências.


E as lições, em revelações

Surgem como providência

Despertando luz na consciência:

Anjos educam por competência 

Guerra Fluvial

12/19/2025

Tudo o que eu fui

fluiu

pra dentro do mar.

Meu rio

correu sem parar,

sem pedir trégua

nessa guerra fluvial.


O que senti, sumiu.

Memória virou vazio.

Eu só fiquei

pra que a história possa

ter seu final.


Embora eu seja,

não quis ser visceral.


Quem só me olhou de fora

nunca enxergou por dentro,

não pode entender

como cantei, sangrando,

como sorri, sofrendo,

como dancei, chorando,

como venci, perdendo.


Quem só ouviu falar

e nunca me ouviu dizer

não saberá

O quanto rezei, tanto lutei


Pedrosill

Ponto Final

12/19/2025

O ponto final

Não é o final

Então afinal,

o que ele é?


Se não um sinal

De um lindo portal

Que se abriu

Em quem refletiu


Se não um canal

Ou um ritual

Do qual se partiu

O que se partiu

Pedrosill 

Meu Tom

10/22/2025

Só posso cantar no meu tom
Só posso cantar no meu tom
Não posso imitar
Aprendi cedo a me respeitar
Não me cobro a ter outro som
Só posso cantar no meu tom

Liberdade
É saber sua identidade
Viver minha verdade
É prioridade

Sentimento bom
É compor dando assas ao dom
Poder aventurar
E criar no meu tom
Mesmo que não agrade você

Só posso cantar no meu tom
(mesmo que isso não agrade a você)
Só posso cantar no meu tom
(não vou me esforçar só pra te agradar)
Não posso imitar
Aprendi cedo a me respeitar
Não me cobro a ter outro som
Só posso cantar no meu tom

Não perca seu tempo
Tentando comparar
Eu sou bem singular
Jeito raro de achar
Mesmo que não agrade a você

Só posso cantar no meu tom
Só posso cantar no meu tom
Não vou me desculpar
Tão pouco tentar te agradar
Não me cobro a ter outro som
Só posso cantar no meu tom

Pedrosill

Traços

7/25/2025

Eu não sou convencional
Tampouco tradicional
Amo ser experimental
Livre, sou essencial

Hora sou um passional
Outras, fico racional
Dias, sou descomunal
Outros, fico decimal

Me converto em meu rival
Quando acordo infernal
Mas, depois do vendaval
Eu sorrio um festival

Não sou superficial
Nasci um transcendental
Ajo sempre literal
Mas sei ser ficcional

O que falo é transversal
Tato espiritual
Quando sou sensorial
Brinco até de ser normal

Não sou artificial
Tampouco ornamental
Sou é substancial
Acho que é vocacional

Traços do meu ancestral 

Pedrosill

Breu

7/21/2025

Você se foi,
nem disse adeus.
Ficou um breu —
não tem depois.

Você se pôs,
dos sóis, o meu.
Ninguém venceu;
perdemos dois.

E não há paisagem no mundo que tome o meu ar
como a ideia cruel de não mais te rever
E não há obra prima que faça brilhar meu olhar
pois meus olhos só sabem abrir com você

Você se foi…
Pergunto: e eu?
Quando é que vou?
Responde, ó Deus.

Pedrosill

Remo

5/07/2020

Eram ondas bravias
Brisa não, ventania
E lá eu num barquinho
Apesar de sozinho
Eu já não remava só

É que o meu remo
É daqueles de rezar

Alto mar de agonia
Pra fazer travessia
Sem saber o caminho
Pedi a meu padrinho
Pra mostrar a direção
E foi com sua benção
Que me tornei um capitão

É que o meu remo
É daqueles de rezar

Eu remei
Sem temer
Nem duvidar
E cheguei
Onde quis
Sem naufragar

É que o meu remo
É daqueles de rezar

Pedrosill

Raiz

3/16/2020

Quando poemo
Debulho sementes
Nas mentes:
Doentes, doídas, carentes

Soprando rimas
Para fazer germinar
Regando estrofes
Para fortificar

Até nascer
Um galho de vida
Uma nova saída
A esperança para vencer

Até  crescer
A alma florida
Tão fortalecida
Que nenhum mal vai abater

Quando poemo
Vou na raiz
Da vida
de quem tá por um triz

Pedrosill